Assassinato da Professora: Suspeito de matar professora no DF diz ter sido agredido pela polícia

Advogados alegam que cliente foi agredido por policiais na hora da prisão.
Polícia disse que suspeito se submeteu a dois exames de corpo de delito.

Os advogados Álvaro Gustavo Chagas de Assis e César Júnior na saída da 1ª DP, na Asa Sul (Foto: Lucas Nanini/G1)
Os advogados Álvaro Gustavo Chagas de Assis e César
Júnior na saída da 1ª DP, na Asa Sul
(Foto: Lucas Nanini/G1)

Os advogados de defesa de Walisson Santos Lemos, suspeito de matar a professora Christiane Silva Mattos, de 37 anos, no Parque da Cidade, na quinta-feira (28), entraram nesta quarta-feira (3) com pedido para que o cliente deles faça exame de corpo de delito. O suspeito alega que foi agredido por policiais no momento em que foi preso.

A Direção Geral da Polícia Civil do DF disse que o suspeito se submeteu a dois exames de corpo de delito, um em 30 de março, data da prisão, e outro no dia 1º de abril, quando ele retornou à carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). A corporação informou que confia no trabalho da equipe encarregada das investigações do crime.

“No momento do referido exame [o primeiro, realizado em 30 de março] o autor foi categórico ao dizer que não sofreu violência policial e que foi agredido pela vítima, tendo o laudo concluído que as lesões apresentadas, no autor, eram compatíveis com seu relato, ou seja, com agressão da vítima quando esta tentava se defender da injusta violência”, informou a polícia.

O advogado de Lemos, Álvaro Gustavo Chagas de Assis, disse que a defesa vai solicitar uma cópia integral do inquérito e as imagens das câmeras de segurança do shopping e do estacionamento onde o suspeito abordou a vítima. Ele também afirmou que pretende entrar com pedido de habeas corpus na manhã desta quinta-feira (4).

“Ele afirma que sofreu socos, tapas na face. Nós estamos analisando. Ele está se sentindo pressionado. O juiz já deferiu nosso pedido de exame de delito. Estamos protocolando o pedido na Corregedoria da Polícia Civil para que a gente possa acompanhar a realização do exame”, afirmou o advogado.

Nesta terça-feira (2), a Justiça do Distrito Federal determinou a quebra do sigilo telefônico do suspeito. A decisão do juiz substituto do Tribunal do Júri de Brasília atendeu ao pedido encaminhado pela Polícia Civil do DF.

Nova versão
Nesta segunda, o suspeito de matar a professora Christiane Mattos mudou a versão para o motivo do crime, em depoimento prestado na 1ª DP, da Asa Sul. Segundo a polícia, o homem disse que tentava assaltar a vítima quando cometeu o assassinato. Inicialmente, o agressor afirmou que a mulher o havia xingado e desrespeitado.

De acordo com a polícia, o suspeito disse que rendeu a vítima ainda na garagem do estacionamento do Shopping Pátio Brasil. Por essa versão, ele usou um celular para simular estar armado, entrou no carro e propôs ir até um local com menor movimento.

Chegando no Parque da Cidade, o suspeito pediu o dinheiro à vitima, que tirou R$ 15 de um bolso interno da bolsa. Neste momento, segundo a polícia, a mulher se apavorou e começou a gritar. O agressor deu um soco no rosto da vítima e começou a estrangulá-la.

“Ele [o agressor] disse que segurou o pescoço dela e trouxe para o lado dele. Quando ele soltou, ela estava mole, ele disse. Depois que ela morreu é que ele tirou a aliança. Não há dúvidas quanto à autoria do crime.

Professora é achada morta em carro no Parque da Cidade, em Brasília (Foto: Reprodução)
Professora é achada morta em carro no Parque da
Cidade, em Brasília (Foto: Reprodução)

Ainda não sabemos qual a intenção inicial dele para cometer o crime. É isso o que estamos investigando”, afirma a delegada-chefe da 1ª DP, Mabel Alves de Faria Corrêa.

Segundo ela, até o momento as investigações não mostram que a vítima e o agressor eram conhecidos. As imagens do circuito de segurança do shopping não mostram os dois mantendo algum contato enquanto estiveram no local.

De acordo com o depoimento, o agressor tentou assaltar outra mulher antes de render Christiane. Ele disse que não chegou a abordar a primeira pessoa porque um motociclista passou pelo estacionamento no momento.

O suspeito disse ter ido ao shopping para entregar currículos, pois havia sido despedido do mercado onde trabalhava na última segunda-feira (25), segundo a polícia. O homem, de 24 anos, é morador de Santa Maria, no DF.

O advogado do suspeito, Álvaro Gustavo Chagas de Assis, disse que o homem apresentou pelo menos três versões e que ainda não é possível afirmar o que houve no caso. “Fica complicado dizer o que aconteceu. Nós vamos conversar com o acusado e tomar as providências. Eu acredito que ainda não seja a versão verdadeira”, disse o advogado.

A administração do shopping emitiu uma nota informando que lamenta o ocorrido e que está colaborando com as investigações. De acordo com o Pátio Brasil, as imagens das câmeras de segurança já foram entregues à polícia. “As imagens deixam claro que a professora não foi abordada nos corredores do shopping. Se houve contato entre suspeito e vítima, ele pode ter acontecido no estacionamento ou na área externa”, diz a nota.

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