Casal quer adotar bebê abandonada nua de madrugada em rua do DF

Criança sobreviveu a mais de 3 horas sob temperatura de 14º centígrados.
Ela teve alta nesta terça e deve ir para abrigo; polícia tenta identificar mãe.

Recebeu alta nesta terça-feira (2) a bebê recém-nascida que foi abandonada sem roupa, na madrugada de domingo, em uma rua do Recanto das Emas, no Distrito Federal. A criança sobreviveu por mais de três horas sob uma temperatura de 14 graus centígrados. A polícia procura pela mãe, que pode ser indiciada por abandono de incapaz, crime que tem pena prevista de seis meses a três anos de prisão. Agora, um policial militar aposentado e a mulher dele querem adotar a recém-nascida.

“A gente já que registrar e dar os direitos a ela. Plano de saúde e tudo mais”, disse o policial aposentado Hugo Fonseca. “Minha esposa já falou do interesse de ficar e eu também quero.” Fonseca e a mulher, Lia Sobrinho, têm dois filhos, de 8 e 3 anos. “Eu sempre quis ter uma filha Camila, e como já chamaram ela de Vitória eu vou colocar Camile Vitória”, afirmou.

O processo de adoção, porém, pode ter um trâmite longo e complicado. O conselheiro tutelar do Recanto das Emas, Pedro Macedo, disse que a mãe da criança está sendo procurada. Uma vez identificada, a família e a mãe são encaminhadas para atendimento psicológico, para avaliar se têm condições e interesse em ficar com a criança.

A médica disse que em 15 minutos ela morreria por hipotermia. Eu desejo a ela tudo de bom, uma família pra cuidar dela. E enquanto eu for viva vou orar por ela. Ela começou a vida muito sofrida, foi jogada fora”
Maria das Graças Bastos, dona de casa que achou a recém-nascida em uma rua do Recanto das Emas

“O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que primeiro a mãe e o pai podem ter a guarda, depois a família extensa e por último [a criança] é [enviada ] à adoção. E para adoção a pessoa tem que estar cadastrada na fila”, explica Macedo.

Após receber alta do hospital entra em contato com o conselho e a criança é levada para casa de um familiar, se algum for identificado, ou para um abrigo. “Para uma guarda provisória [o interessado] tem que ter algum vínculo. Sem nenhum vínculo familiar é mais difícil. Mas a decisão depende do juiz da vara da infância”, disse o conselheiro.

O policial Fonseca disse ter procurado um advogado para que possa orientar a família e nesta terça (2) à tarde se inscreveria no programa de adoção. “Ontem o pessoal da polícia explicou que é difícil, que tem que achar a mãe, tentar entender o que aconteceu, se a família quer ficar e em último caso vai pra adoção” disse Lia, que tenta não perder a esperança.

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