PM que atirou por engano em jovens no DF é indiciado por homicídio

Sargento também foi indiciado por tentativa de homicídio; rapaz morreu.
Ele atirou durante perseguição a carro roubado na semana passada.

Do G1 DF

Sargento também foi indiciado por tentativa de homicídio; rapaz morreu.
Ele atirou durante perseguição a carro roubado na semana passada.

A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou por homicídio doloso e tentativa de homicídio o sargento que disparou por engano e matou um jovem na semana passada. Segundo o delegado Marcelo Portela, ele assumiu o risco de matar o estudante José Chaves ao atirar no carro em que ele estava. Se condenado, o PM pode pegar até 30 anos de prisão.

Na sexta passada, a família do jovem afirmou que vai entrar com processo judicial contra o estado e a Polícia Militar do DF. O irmão mais novo da vítima, Welington Chaves Pereira, disse que a família vai buscar justiça. “Perdi a metade da minha vida. Essa pessoa tem que pagar pelo que fez.”

Segundo a cunhada do jovem, Adriana Gomes da Cruz, a família vai esperar pelo menos mais uma semana para decidir como o processo vai seguir. “Com certeza vamos lutar para conseguir justiça”, disse.

Enterro
O jovem foi enterrado na sexta-feira (5) no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Durante o velório, amigos e familiares pediram justiça.

Algumas das pessoas presentes usavam camisetas com a foto do estudante na frente e a frase “Ter um amigo é com encontrar um tesouro. Eternamente, Ligeirinho” nas costas.

O apelido “Ligeirinho” surgiu das quadras de futebol, de acordo com o amigo de infância Rafael Oliveira. “Se ele [José] pegasse a bola ninguém conseguia roubar. Ele corria muito.”

No momento em que o caixão foi retirado da capela, o jovem foi saudado com palmas. Os amigos do futebol entoaram gritos de guerra do time onde Pereira jogava.

Morto por engano
José Alves Chaves Pereira, de 27 anos, morreu na manhã da quinta-feira (4) depois de ser atingido por engano por um policial militar durante uma perseguição da PM a um carro roubado na noite da quarta-feira (3) no DF.

O incidente ocorreu quando os estudantes voltavam da faculdade, em Taguatinga. O carro em que eles estavam foi confundido com um veículo que havia sido roubado e estava sendo usado para praticar novos crimes. O caso aconteceu na BR-070. A vítima foi atingida na cabeça e foi levada em estado grave para o Hospital de Base de Brasília, mas não resistiu.

Na manhã desta sexta-feira (5), a PM disse que vai oferecer a estrutura da corporação para prestar apoio às famílias das vítimas. “Vamos verificar qual é a necessidade de cada uma das famílias e ver o que a gente pode oferecer. A gente coloca a estrutura da corporação à disposição. O primeiro passo será o contato da assistente social da PM com essas pessoas, em momento oportuno”, disse o corregedor, coronel Erich Meier.

O corregedor disse que o inquérito que vai apurar o caso deve ficar pronto em até 40 dias. Meier afirmou que os policiais estão abalados com o que aconteceu.

“Envolveu pessoas inocentes, não foram delinquentes que foram atingidos, alvejados naquele momento”, disse. “A gente não tem muitas dúvidas do que aconteceu ou de como aconteceu. Só esperamos o resultado da perícia para saber se há mais detalhes.”

Os três policiais envolvidos na ocorrência foram afastados da função nesta quinta. Eles foram ouvidos na corregedoria, onde entregaram as armas. O trio está sendo acompanhado por psicológos e assistentes sociais da PM.

De acordo com a estudante Karla Pamplona, que dirigia o veículo atingido, o suspeito de disparar o tiro que matou por engano o estudante de administração José Chaves Alves Pereira ficou “desesperado” após perceber o erro. “Meu Deus, o que é que eu fiz?”, indagou o policial, segundo a jovem.

Pereira, de 27 anos, era casado, tinha duas filhas. A mulher dele está grávida de oito meses. O velório dele acontece às 12h, no Cemitério Campo da Esperança.

Karla Pamplona foi atingida de raspão na cabeça. “Eu já desci do carro desesperada e fui ao encontro dos policiais. O policial que atirou, quando me viu, ficou muito desesperado e colocou as mãos na cabeça e disse: ‘Meu Deus, o que eu fiz, o que está acontecendo?'”

O estudante Michel de Oliveira, que estava no banco de trás do carro e não foi atingido, disse que questionou o policial quando desceu do veículo. “Eu perguntei a ele: ‘Por que vocês fizeram isso? Vocês não deram ordem de parada, não avisaram para a gente parar ou alguma coisa do tipo.’ Ele pediu desculpas para mim e falou que o nosso carro tinha as mesmas características de um carro que tinha sido roubado em Ceilândia. Essa foi a justificativa que eles deram para a gente”.

O coronel Marcilon Back, comandante do 16º Batalhão da PM, onde os policiais estão lotados, disse que a viatura sinalizou para que o carro onde estavam os estudantes parasse.

“Nesse momento houve o disparo, o que foi uma fatalidade. O objetivo dos policiais, segundo informações que vamos apurar ainda, era atirar no pneu do veículo para tentar fazer para-lo. Foi isso que aconteceu só que o disparo saiu mais alto do que pensava que fosse sair.”

O comandante-geral da Polícia Militar do DF, coronel  Suamy Santana, fez um pedido de desculpas pelo ocorrido. “Houve  uma vítima inocente e a PM tem o dever de se desculpar diante da família e da população do DF.” Ele afirmou que o caso será apurado com  rigor.

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