Racha entre 2 motoristas causou acidente na L4 Sul, conclui Polícia Civil do DF

Motoristas estavam em ‘alta velocidade’ e ‘cortando carros’, disseram testemunhas. Eles foram indiciados por homicídio doloso e podem pegar até 30 anos de prisão; acidente matou mãe e filho há cinco meses.

e acordo com a Polícia Civil do DF, um racha entre dois carros foi o que gerou o acidente que matou uma mãe e o filho na L4 Sul, em abril. A conclusão do inquérito foi apresentada na tarde desta quarta-feira (20). Os motoristas foram indiciados por duplo homicídio doloso e dupla lesões corporais dolosas e podem pegar até 30 anos de prisão, explicou o delegado da 1ª DP Gerson Sales.

“Algumas testemunhas que estavam no local disseram que dois veículos estavam cortando os carros na pista em alta velocidade. No primeiro depoimento eles confirmaram que tinham ingerido bebida alcoólica e uma testemunha disse que eles tinham sinais de embriaguez.”

De acordo com a investigações, o carro do advogado Eraldo José Cavalcante estava a 110 km/h e ele fugiu do local do acidente. Não foi possível comprovar a velocidade do carro do sargento do Corpo de Bombeiros Noé Albuquerque, mas testemunhas disseram que a velocidade era próxima da do outro veículo. O carro da família atingida trafegava a 60 km/h, abaixo da velocidade da via que é 80 km/h.

A polícia concluiu ainda que Fabiana Oliveira (irmã de Noé) não estava participando do racha e teria saído antes da festa onde os três estavam, no Lago Paranoá. Os dois motoristas tentavam alcançá-la na via e o carro de Eraldo chegou a bater na lateral do veículo de Fabiana depois do acidente.

A perícia também concluiu que a pista estava seca, em boas condições e com grande visibilidade. O laudo da Polícia Civil apontou ainda que o carro que causou o acidente não tinha problemas nos freios. “Iniciou-se o processo de derrapagem na pista, vindo a colidir com o meio-fio e iniciar o processo de capotamento. Durante o capotamento, colidiu com uma árvore voltando à pista”, diz o documento.

A esposa de uma das vítimas, Fabrícia Cayres, esteve na delegacia e disse que o resultado do inquérito é “satisfatório”. “A gente tem consciência que esse foi um primeiro passo, não é a condenação, mas ficamos satisfeitos”, afirmou.

“Não está nem perto de terminar. Claro, trouxe um certo alívio porque a gente está acostumado a ver casos como esses serem tratados como crimes de trânsito, algo menor.”

Demora na conclusão

De acordo com o delegado, a Polícia Civil teve 60 dias para trabalhar com o inquérito. Nos primeiros 30 dias, foram ouvidas as testemunhas e o inquérito foi encaminhado para a Justiça, na qual passou de uma Vara comum para o Tribunal do Júri e tramitou por três meses. Depois, voltou para a polícia e ficou por mais 30 dias para a elaboração do relatório final.

“A polícia agiu de forma independente e tivemos 60 dias para trabalhar com a investigação. Fizemos tudo que foi possível para concluir de forma rápida”, afirmou Sales.

Outro lado

Alexandre Queiroz, responsável pela defesa dos motoristas, disse que ainda não teve acesso ao inquérito e vai aguardar pronunciamento do Ministério Público para se manifestar.
Mãe e filho morreram em acidente de trânsito provocado por dois carros que faziam Mãe e filho morreram em acidente de trânsito provocado por dois carros que faziam
Mãe e filho morreram em acidente de trânsito provocado por dois carros que faziam “racha” na L4 Sul, em Brasília (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

Relembre

O acidente ocorreu em 30 de abril, na L4 Sul próximo à Ponte das Garças. Por volta das 19h30, Cleusa Maria Cayres e Ricardo Clemente Cayres, de 69 e 46 anos respectivamente, voltavam de uma festa para casa.

O veículo em que estavam foi atingido por um carro, invadiu o gramado, bateu em uma árvore, voltou para a pista e capotou em seguida. As duas vítimas estavam no banco de trás e morreram na hora, segundo os bombeiros.
Outras duas pessoas que estavam no carro, o genro da vítima, que dirigia, e o marido dela, que estava no banco do carona, sobreviveram. No local, testemunhas disseram aos bombeiros que havia dois carros em alta velocidade no momento do acidente.

Na direção dos carros que se envolveram no acidente estava o sargento do Corpo de Bombeiros Noé Albuquerque, o advogado Eraldo José Cavalcante Pereira (cunhado de Noé), que teria provocado a batida, e Fabiana Oliveira (irmã de Noé).

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