Vítima de ex-lutador quis deixar imóvel na terça, diz primo

Corpo do homem foi enterrado nesta quarta (10) no Campo da Esperança.
Terceiro envolvido continua sendo procurado; suspeitos ficaram em silêncio.

 Do G1 DF
Em todo momento a gente não tira da cabeça que eles fizeram isso para matar. Não houve nenhuma outra intenção que não fosse essa. Nosso sentimento é de querer justiça mesmo”
Fabiano Boschini, primo da vítima

O homem que morreu na madrugada desta segunda-feira (10) após ser espancado por reclamar do uso de drogas na porta de casa, no Distrito Federal, foi à imobiliária no dia anterior para entregar as chaves do apartamento, segundo o primo dele, Fabiano Boschini. Isaque Nilton Alves Boschini, de 28 anos, foi agredido por três homens. O principal suspeito é um professor de muay thai, que foi preso pouco depois.

“Em todo momento a gente não tira da cabeça que eles fizeram isso para matar. Não houve nenhuma outra intenção que não fosse essa. Nosso sentimento é de querer justiça mesmo”, afirma. “O Isaque foi ontem à imobiliária com um amigo, por volta das 12h, para entregar as chaves. Justamente por causa disso. Ele queria sair de lá, estava cansado.”

Boschini morava com a mulher e a filha de 7 anos em um prédio da QE 40 do Guará há seis meses. Segundo o primo, desde o começo ele dizia estar incomodado porque uma vizinha era traficante e havia circulação intensa de pessoas estranhas no local. A vítima estagiava em uma corretora de imóveis e eventualmente ajudava a tia em uma serigrafia.

“O Isaque era pessoa super tranquila, trabalhadora. Para a família, foi um baque mesmo. A mulher e a filha estão muito arrasadas. Ele era muito na dele. Quem o conhecia sabia que ele era uma pessoa muito família, fazia tudo pela filha”, disse o primo.

O corpo da vítima foi enterrado na tarde desta quarta no Cemitério Campo da Esperança. A Polícia Civil continua procurando o terceiro suspeito de agredir o homem. Os outros dois foram reconhecidos por uma testemunha na delegacia – um deles, um jovem de 19 anos. Eles ficaram em silêncio durante o depoimento.

Responsável pelas investigações, o delegado Jeferson Lisboa afirmou que um dos suspeitos tentou atropelar a vítima antes de espancá-la. Os homens foram levados para o Departamento de Policia Especializada ainda pela manhã.

Os dois suspeitos presos nesta quarta serão indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil e podem ficar até 30 anos presos. De acordo com odelegado, a tentativa de atropelamento foi feita pelo jovem.

Segundo o delegado, o ex-lutador tem três passagens pela polícia – por ameaça, desacato e porte de arma branca. O jovem que também foi preso tinha uma passagem de quando ainda era menor de idade, por porte de arma de fogo.

Fachada do prédio onde morava a vítima que foi espancada no Guará II (Foto: Isabella Formiga/G1 DF)

Fachada do prédio onde morava a vítima que foi
espancada no Guará II
(Foto: Isabella Formiga/G1 DF)

A vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no Hospital de Base. Segundo uma vizinha do rapaz, que não quis se identificar, o espancamento durou cerca de cinco minutos. Ela disse ter visto três homens agredindo o rapaz.

Também segundo a vizinha, a mulher da vítima viu o marido sendo espancado. “Ouvi a gritaria e fui para a sacada. A mulher dele estava gritando pela janela para não machucarem ele”, afirmou.

Outra testemunha ouvida pelo G1disse que conhecia o lutador. “Sou praticante de artes marciais, conheço ele [o suspeito] desse meio”, disse um rapaz que não quis se identificar. “Tirou uma vida de um cara que não sabia lutar, de um cara pequeno. Ele bateu até a morte.”

O suspeito caminhava por uma rua a algumas quadras do local do crime quando foi abordado pela polícia. Ele e outro homem foram reconhecidos por uma testemunha na delegacia. O segundo estava em um carro, que pode ter sido furtado há três meses.

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